Enquanto Bolsonaro diz “e daí?”, sem-terras acolhem famílias que enfrentam o desemprego na capital do país

               Acampamento Che Guevara

Por: Amarildo Mota


Durante a pandemia, por conta da negligência dos governantes para minimizar os efeitos da crise, muitas famílias estão enfrentando sozinhas o desemprego. Sem outra fonte de renda, muitos estão sendo expulsos dos centros urbanos porque não têm dinheiro para pagar o aluguel e demais despesas da casa.
Por isso, as lideranças da Frente Nacional de Luta - Campo e Cidade (FNL) abriram os acampamentos para acolher essas pessoas, fazendo o que o Estado não faz. É o caso dos acampamentos Rosa Luxemburgo e Che Guevara, localizados em Samambaia, no Distrito Federal.




O acampamento Che Guevara, que completou 3 anos no começo do ano, já enfrentou, com muita luta, diversas tentativas de reintegração de posse contra o grileiro da área. A FNL cumpre um papel fundamental na denúncia da grilagem em áreas públicas na capital federal. Antes da pandemia, 162 famílias moravam no Che. Durante os últimos três meses, 132 novas famílias buscaram o movimento para poderem viver com melhores condições, quase dobrando o tamanho do acampamento. No acampamento Rosa Luxemburgo a situação é semelhante. Antes da pandemia eram 170 famílias. Hoje são 230.
Na prática, o movimento dá uma lição de solidariedade ativa, ao abrir suas portas para aqueles que estão em uma situação de vulnerabilidade nesta crise. É o aposto do que vem fazendo os governantes. Enquanto o governo Bolsonaro não tem medidas efetivas para combater o desemprego e agora fala em diminuir o valor do auxílio emergencial, o movimento recebe essas famílias e procura dar o mínimo de dignidade. Além disso, o movimento se fortalece como referência de luta e organização do povo.

Mulheres do campo na linha de frente


Jo, Maria e Petra. Fotos: Caroline Vilar
Por trás dessa história, são mulheres que tocam o dia a dia dos acampamentos, suas atividades e organização. Jo e Maria são coordenadoras do acampamento Rosa Luxemburgo. Já Petra mora no acampamento Che Guevara e é da coordenação nacional da FNL.
Jo é uma das coordenadoras do acampamento Rosa Luxemburgo. Chegou no acampamento com sua família em 2015. Como muitas pessoas, ela tinha uma visão crítica em relação aos sem-terra. Mas acompanhando durante 2 anos as reuniões e o dia a dia do movimento, foi mudando de opinião, e participando cada vez. Natural do Tocantins, filha de agricultores, Jo se tornou dirigente de produção do acampamento. Ano passado, foi a maior produção de mandioca e abobora. De 2015 para cá, Jo cativou carinho pelo movimento e se apaixonou pela história dos sem-terra.

Acampamento Rosa Luxemburgo. Foto: Filipe Carvalho

Maria morava na Samambaia, procurou a FNL porque não tinha mais dinheiro para pagar o aluguel e demais despesas da casa. Até então não conhecia nenhum movimento social organizado. Após 6 meses morando no acampamento, quis conhecer mais a bandeira e suas pautas e hoje é coordenadora geral do Rosa. Para ela, nada vem de graça se não tiver luta. Hoje cria suas galinhas e planta milho. Atualmente, a coordenação do Rosa Luxemburgo é composta somente por mulheres.
Petra participou da fundação da Frente Nacional de Luta no Distrito Federal em 2014. Ela e outros companheiros foram expulsos do MST por terem discordâncias sobre os rumos que o movimento estava tomando. O primeiro acampamento da FNL em Brasília foi na região da Água Quente. Houve um despejo e, em negociação com o GDF, uma área foi cedida em Samambaia. É nesta área onde hoje está localizado o acampamento Rosa Luxemburgo que completou 5 anos. Com o fortalecimento do movimento e com a demanda por terra crescendo, poucos anos depois ocuparam a área que está o Che.
“É uma luta muito difícil, porém é uma luta que a gente acredita, por ter visto a conquista de muitas famílias. Já conseguimos através da nossa luta ver várias famílias serem assentadas, conquistarem o direito à moraria e à terra. A nossa luta é por justiça social. A gente acredita em um em país socialista, onde as pessoas tenham seus direitos básicos garantidos. A gente luta todos os dias por igualdade social. É uma luta muito gratificante. A gente não se apega na criminalização aos movimentos, nos apegamos nos direitos que as pessoas têm de lutar” (Petra Magalhães).
O Distrito Federal tem muitas terras públicas que poderiam ser destinadas à reforma ágraria, como previsto na Constituição. Porém, sem uma ação contundente do poder público, essas áreas se tornam alvo dos grilheiros. São os movimentos, como a FNL, que fazem essa denúncia.

Como ajudar o movimento?

Fonte : médium.com





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