Veja três dicas de Jorge Paulo Leman sobre relacionamentos bem-sucedidos com os clientes



Entenda qual foi o último grande erro do homem rico em seu relacionamento com o consumidor ou como ele se adapta e, portanto, muda de direção

O empresário brasileiro, de 80 anos, que tem um fortuna estimada em R$ 104,71 bilhões, segundo a revista Forbes, sem dúvida tem muitas dicas de como ter sucesso ao empreender e para ganhar a confiança do consumidor. Em entrevista à Consumidor Moderno, Jorge Paulo Lemann compartilhou lições poderosas do que não fazer atualmente quando o assunto é a relação com o perfil do cliente moderno. CONFIRA o top 3 abaixo:

1.MUDANÇA CULTURAL NOS NEGÓCIOS

O empresário também explicou que hoje é necessário uma mudança cultural nos negócios para que as empresas estejam mais próximas e conectadas ao cliente.

“As pessoas que nós tínhamos treinado durante anos também eram muito mais ligadas em produzir eficientemente e de forma mais barata, do que estarem propriamente atentas ao que o cliente quer. Nós temos que mudar a nossa cultura para estar mais orientada para isso”, comentou Jorge Paulo.

“O seu cliente, hoje em dia, tem muito mais opções. Ele está muito mais bem informado. Quer testar coisas diferentes e todos devem se adaptar a isso, senão vão ficar para traz.”


2.NOVO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR


Durante o evento Hackmed, em São Paulo, Lemann descreveu a mudança e o empoderamento no comportamento do consumidor. E isso é um fator que não tem sido levado em conta em suas empresas até pouco tempo.

“Ultimamente o mercado mudou. Agora, o que nós, nas nossas organizações, não entendemos bem é que o consumidor ficou muito mais poderoso. O mundo digital trouxe muitas alternativas para ele escolher, o que ele quer e como ele quer [..] E nós demoramos a perceber que não bastava você produzir bem, barato e ter produtos bons, mas que o essencial era você estar atento para o que o consumidor quer, como ele quer, quando ele quer e como que os produtos vão ser entregues a ele,” descreveu Jorge Paulo Lemann, sócio-fundador da 3G Capital, empresa de private equity, e da holding AB-InBev.


3. SUCESSO ATRAVÉS DAS PESSOAS

Lemann ainda falou sobre a importância no investimento em pessoas. Segundo, ele a maior parte do sucesso das suas empresas se deve ao resultado de escolher ótimos profissionais, além de oferecer oportunidades.

“Esse mesmo sistema de escolher gente e dar uma oportunidade, de ajudar a estudar, e a empreender, que é o que beneficiaria muito o Brasil”, relatou.

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Jorge Paulo Lemann: conheça a trajetória do bilionário dos resultados

Como o carioca revolucionou o capitalismo brasileiro, comprou grandes ícones americanos como Budweiser, Burger King e Kraft Heinz, e acumulou uma fortuna de US$ 22,4 bilhões

Em 1957, os colegas de turma de Jorge Paulo Lemann na Escola Americana do Rio de Janeiro fizeram uma profecia: em uma brincadeira de fim de ano, o elegeram como vencedor da categoria “most likely to succeed” — o que mais tem chances de ser bem-sucedido.

Quase sete décadas depois, o carioca — que, naquela época, tinha apenas 17 anos —, é a segunda pessoa mais rica do Brasil, atrás apenas do banqueiro Joseph Safra na lista da Forbes deste mês. Com uma fortuna de US$ 22,4 bilhões, Lemann é também o 35º maior bilionário do mundo.

Aos 80 anos, com os sócios inseparáveis Marcel Telles e Beto Sicupira, ele é reconhecido não apenas como um empresário de sucesso, como imaginavam seus colegas de sala, mas também como um personagem que revolucionou o capitalismo brasileiro e virou um gigante global, dono de empresas como a AB Inbev e a Kraft Heinz.
O Seu Dinheiro publica aos domingos a segunda temporada da série Rota do Bilhão, que conta a história dos homens maiores bilionários do Brasil. Você pode receber cada episódio em seu e-mail se cadastrando aqui.

Embora tenha criado companhias conhecidas por serem implacáveis com seus funcionários e por estimularem uma competição extrema entre eles, Jorge Paulo Lemann é descrito como um sujeito carismático, agradável, “soft”. Ao definir o parceiro de mais de três décadas, Marcel Telles disse que a genialidade de Lemann está em “ver simples e ver antes”.


O simples é melhor que o complicado

Foi em Harvard que Lemann mudou sua visão de mundo. “Meus sonhos que eram ganhar um campeonato de tênis ou pegar ondas maiores se tornaram muito maiores”, disse certa vez. Lá ele aprendeu sobre a importância de escolher gente boa e adotar métodos para obter resultados.

“Eu sempre tento reduzir tudo ao que é essencial e isso nos ajudou muito também na formação de nossos negócios. A maioria das nossas companhias – e das pessoas – tem cinco metas. O simples é sempre melhor do que o complicado.”

Formado em economia, Lemann foi estagiar no banco Credit Suisse, na Suíça. Mas durou pouco. “Eu lambia selo, atendia telefone, não estava aprendendo nada.” Acabou pedindo licença do banco para jogar um campeonato suíço de tênis, ganhou o torneio, foi convidado para representar o país na Copa Davis e desistiu do estágio.

De volta ao Rio, em 1963, procurou emprego no mercado financeiro e foi contratado pela Invesco, uma financeira, para estruturar a área de mercado de capitais. Como naquela época era preciso ter uma espécie de licença para operar uma corretora, o que a Invesco não tinha, Lemann criou um “mercado paralelo” para compra e venda de ações. Chegou a ser expulso do prédio da bolsa de valores por corretores.

A Invesco quebrou três anos depois, por má administração. Lemann perdeu o emprego e o dinheiro que tinha investido para adquirir 2% da empresa. No ano seguinte, começou a trabalhar na corretora Libra, já com uma participação de 13%, e com a missão de tocar a área de mercado de capitais.

Passados três anos, Lemann fez uma proposta para comprar a parte dos donos da corretora. Em resposta, eles o obrigaram a vender sua parte e deixar a empresa.

Aos 31 anos, o ex-aluno de Harvard estava desempregado, mas com US$ 200 mil no bolso. Seu plano era comprar uma corretora em sociedade com os colegas que tinham deixado a Libra. O dinheiro que faltava veio do amigo e ex-deputado Adolfo Gentil, dono do Banco Operador.

Gentil publicou um anúncio no jornal (“compra-se corretora”) e, em agosto de 1971, adquiriu a Garantia por US$ 800 mil. Ali, Lemann colocaria em prática o que aprendeu na universidade americana: uma cultura baseada em meritocracia, com obsessão por formar os melhores líderes e transformá-los em sócios.

No livro Sonho Grande, que conta a história do trio Lemann, Telles e Sicupira , a jornalista Cristiane Correa revela que, na corretora Garantia, Lemann buscava profissionais chamados por ele de PSD (poor, smart, deep desire to get rich) — pobres, espertos e com grande desejo de enriquecer.

“Ele preferia ter gente com jogo de cintura a jovens brilhantes sem nenhum traquejo”, escreveu a jornalista.

Todos trabalhavam em um grande salão, sem divisórias, sem salas fechadas, para facilitar a comunicação — e a pressão. No ambiente aberto, todo mundo fiscalizava todo mundo: o clima era de competição. As jornadas duravam de 12 a 14 horas e, às vezes, entravam no fim de semana.

Lemann se inspirou na cultura do maior banco de investimentos do mundo, o Goldman Sachs: lá, os funcionários tinham direito a bônus e deviam usar o dinheiro para investir na compra de participações no banco — uma forma de fazê-los manter o foco no negócio.

No começo do Garantia, quem batesse metas podia ganhar até cinco salários extras. Mas para que uns recebessem outros tinham que perder. Em média, 10% do quadro de funcionários eram dispensados anualmente.


Os que mais se destacaram, sem dúvida, foram Marcel Telles e Beto Sicupira. Telles começou no banco praticamente como um estagiário e, em dois anos já tinha uma participação de 0,5%. Sicupira, companheiro de Lemann na pesca submarina, entrou no ano seguinte.

Os dois formaram com Lemann uma parceria azeitada que dura até hoje. A confiança entre os três é tanta que só no começo dos anos 2000 eles fizeram um acordo de acionistas, pensando nos herdeiros

Lemann se casou duas vezes e tem seis filhos, três com sua primeira esposa e três com sua segunda esposa Susanna. Ele geralmente passa seu tempo entre São Paulo, Rapperswil-Jona, no lago de Zurique, onde sua família mora e St. Louis.

Em 1999, vários homens armados tentaram sequestrar seus filhos a caminho da escola. O incidente levou Lemann a se mudar permanentemente para a Suíça. Segundo um relatório, “seus filhos ainda freqüentavam a escola naquele dia e Lemann estava apenas um pouco atrasado para o escritório”.

Lemann raramente dá entrevistas ou aparece publicamente, e é pouco conhecido nos Estados Unidos. No entanto, de acordo com a Bloomberg, no Brasil, Lemann é considerado um “herói da classe executiva”, “o conglomerado de cabelos brancos e esbelto que faz parte de Buffett, parte de Sam Walton e parte de Roger Federer”.

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