Começa recuperação na Orla do Paranoá e Parque do Riacho Fundo

O trabalho na Arie do Bosque representa o primeiro trecho de recuperação da Orla do Lago Paranoá, com o plantio de 1.600 espécies nativas do Cerrado, em 4,5 hectares


As principais ações são a contenção de processos erosivos, a revegetação e a revitalização de corredores ecológicos. Foto: Divulgação

A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) está recuperando duas importantes áreas que estão sob sua responsabilidade. A Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) do Bosque, localizada na QL 10, do Lago Sul, que faz parte da revitalização da orla do Lago Paranoá, e, também, o Parque Ecológico do Riacho Fundo, onde foram iniciadas as atividades de plantio do Programa de Recuperação de Nascentes nos parques do Distrito Federal.



O trabalho na Arie do Bosque representa o primeiro trecho de recuperação da Orla do Lago Paranoá, devendo se estender até meados de março, com o plantio de 1.600 espécies nativas do Cerrado, em 4,5 hectares. A área total destinada à recomposição ao longo do perímetro do lago é de 65 hectares. Os trechos considerados prioritários vão do Riacho Fundo até a barragem do Paranoá.

Os recursos para a primeira fase de recomposição (R$ 2 milhões) são provenientes de multas por danos ambientais a partir de ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O relatório final do grupo de trabalho do GDF, criado para analisar o Plano Urbanístico de Uso e Ocupação da Orla do Lago Paranoá, divulgado na semana passada, concluiu que será dada prioridade às ações destinadas a recuperação ambiental, para atender à determinação judicial de desobstruir a orla num espaço de 30 metros da Área de Preservação Permanente (APP) do lago.
Os recursos para a primeira fase de recomposição (R$ 2 milhões) são provenientes de multas por danos ambientais a partir de ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

As principais ações são a contenção de processos erosivos, a revegetação e a revitalização de corredores ecológicos. Para a proteção das áreas de plantio, serão instalados contentores de madeira para evitar o acesso de veículos à margem do lago e sinalizados os trechos de acesso. As espécies plantadas nesses locais serão identificadas com placas. Uma campanha educativa será lançada para orientar os visitantes dos procedimentos adequados para usufruir desses locais, sem promover danos ambientais.

Riacho Fundo

Como resultado de outra iniciativa da Sema, o Programa de Recuperação de Nascentes no DF, foi iniciado nesta terça-feira o plantio de 2.400 mudas de 40 espécies nativas do Cerrado no Parque Ecológico do Riacho Fundo. O plantio conta ainda com apoio do grupo Voluntários do Parque.

O Parque Ecológico do Riacho Fundo e o Parque Ecológico de Águas Claras, ambos na Bacia Hidrográfica do Paranoá são os primeiros beneficiados pelo programa. O trabalho teve início em Águas Claras, com o plantio de mais de quatro mil mudas em uma área de aproximadamente 5 hectares, no período de 20 a 28 de fevereiro. O grupo Voluntários do Parque colaboram com as ações nos dois parques.

No próximo período chuvoso serão iniciadas as ações nos outros 70 hectares a serem apontados pelo programa, após elaboração de diagnóstico e priorização de áreas nas bacias do Descoberto e do Paranoá para definição dos pontos de atuação. O plantio será completado em 2021. A empresa responsável pelo trabalho também fará o monitoramento e manutenção das áreas plantadas. 

O secretário de Meio Ambiente, Sarney Filho, explica que a pasta está realizando iniciativas para incentivar, estimular e apoiar ações de conservação, recuperação ambiental e uso sustentável do Cerrado. “Em especial, para a recomposição de áreas degradadas em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas de recarga de aquíferos, em áreas prioritárias para produção hídrica nas Bacias do Rio Descoberto e Rio Paranoá, visando à manutenção e recuperação de seus aquíferos”, afirma.

O Programa de Recuperação de Nascentes é coordenado pela Sema com recursos do projeto CITinova, do Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações e vai beneficiar áreas prioritárias para produção hídrica nas Bacias do Rio Descoberto e Rio Paranoá, visando à manutenção e recuperação de seus aquíferos.

De acordo com Nazaré Soares, coordenadora do CITinova pela Sema/GDF, a necessidade do projeto vem da severa crise hídrica que afetou o Distrito Federal nos últimos anos. “Uma das principais causas, além da mudança no regime de chuvas e do aumento do consumo pelo crescimento populacional, é o manejo inadequado de áreas que suprem os mananciais, denominadas áreas de recarga”, diz. 

Segundo ela, algumas práticas utilizadas levam à impermeabilização do solo, impedindo a infiltração da água e reposição dos aquíferos, o que afeta diretamente as nascentes.